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O bordado com fitas não é encantador? A fita acrescenta uma dimensão a mais ao bordado tradicional com linha, instiga nosso olhar e faz os dedos formigarem de vontade de estender a mão e tocar sua superfície. Essas fitas são de poliamida, de 3 mm, porém muito macias, mas não tanto quanto as fitas de seda, usadas no bordado tão difundido e conhecido no exterior como “Silk Ribbon Embroidery”, literalmente Bordado com Fita de Seda. Aqui no Brasil, a gente só faz de conta por que não há nada equivalente. Acho que seriam caras demais. O triste é saber que o Brasil é o quinto produtor mundial de seda, exportando 95% de sua produção. Uma boa parcela disso vai para o Japão que faz as fitas de seda mais lindas (e caras) do mundo. Não tenho nada contra as nossas fitinhas de cetim, mas seria muito bom ter opções de escolha. Enfim, essas fitas de poliamida não fazem feio, não é mesmo? Esse motivo eu fiz pra decorar uma sacola e presentear uma amiga querida. Você não precisa procurar desesperadamente um risco pra bordar, basta usar um pouco de imaginação, elementos em número de 3, galhos curvos e toques de nós franceses pra dar leveza.

Isn’t ribbon embroidery lovely? Ribbons add an extra dimension to the tradicional embroidery with thread, instigates our eyes and makes our fingers itch with urge to reach out and touch their surface. This motif was done to decorate a string bag gifted to a dear friend. You don’t have to look desperately for a pattern, just use your imagination, elements in number of 3, curved branches and a touch of french knots to soften the whole thing.

Sharon Boggon é uma artista têxtil admirada por centenas de pessoas que adoram bordar. Essa generosa mulher tem conduzido projetos de muito sucesso como “Take a Stitch Tuesday” e “A 100 Details for a 100 Days“, entre outros. Ambos foram criados para divulgar e incentivar o ato de bordar. O site mantido pela Sharon tem muita inspiração para os olhos, incluindo um dicionário de pontos – “Stitch Dictionary” – com fotos e exemplos de uso. Por questões técnicas e financeiras, ela resolveu separar o conteúdo do blog, que provavelmente terá um novo nome, para outro endereço:

http://sharonb.wordpress.com/

handandroses.jpgQuero aproveitar e manifestar minha profunda gratidão por tudo que a Sharon tem oferecido gratuitamente através de seu blog e a inspiração para continuar minha jornada nesse mundo fascinante de linhas e agulhas. Muito obrigada!

I want to take the opportunity to manifest my profound gratitude for everything Sharon has offered freely in her blog and the inspiration to continue my own journey in the fascinating world of threads and needles. Thank you!

Milhares de pontos de bordado incrustados podem representar o chão da floresta? Na minha concepção… “Sim!”. Esse é um trabalho em andamento que estou fazendo como parte do curso “Sumptuous surfaces” da Sharon Boggon. A tradução não poderia ser mais perfeita… “Superfícies sumptuosas”. A idéia inicial é criar um desenho a partir de um conceito e daí, bordar regiões com diferentes graus de elaboração. Acreditem em mim, foi mais difícil bolar o desenho do que construir esse emaranhado do bordado. Não preciso nem dizer o quanto estou fascinada com esse trabalho e sei que será o primeiro de muitos. Espero poder mostrar em breve o trabalho terminado.

This is an unfinished project I am working on for the Sumptuous Surfaces class with Sharon Boggon.  This detail is supposed to be my vision of the forest floor. I hope to post the finished work very soon.

Nice Matters

Eu fiquei muito feliz de saber que minha amiga virtual, a Hideko do longínquo Japão, me nomeou para uma premiação intitulada “Nice Matters”, cuja tradução seria algo como “assuntos agradáveis”. A premiação foi criada pela Bella Enchanted e a proposta é muito simples: premiar as pessoas agradáveis que encontramos pela internet, aquelas que nos inspiram e que transmitem coisas boas, que se importam com os outros e estão sempre dispostas a ajudar.

Trata-se de uma corrente que se espalha pelos blogs afora … faz a gente parar um pouco e lembrar de agradecer o amigo que nos inspira, incentiva e conforta. Eu tenho que passar a premiação para outras 7 pessoas, uma tarefa difícil considerando a quantidade de blogueiras simpáticas espalhadas por esse mundão, mas vou me restringir às amigas e colegas quilteiras daqui pertinho…

Cecília – Quilta e Borda, Telma – Meu Cantinho, Patricia Rosana – PatPatches, Lia – Artes Bruxas.

I was so happy to know that an online friend who I admire so much has nominated me for an award created by Bella Enchanted. Hideko, thank you so much for nominating me for this award. I am honoured and delighted to know you thought about me.

São tantas as artistas que nos inspiram mas ocasionalmente aparecem algumas que nos tocam diretamente, seja pela delicadeza do trabalho ou os temas explorados. Uma dessas artistas é a Kazuko Aoki, cujos trabalhos têm me encantado profundamente. São trabalhos simples mas de uma graça sem igual, inspirados nos elementos de seu jardim. O projeto acima foi executado a partir de um de seus livros. Usei linha mouliné e diversos pontos: nó colonial, ponto cheio, haste e corrente e fios ancorados. Agora, só preciso achar tempo pra fazer a geléia desse pote.

Tropeçar tem lá suas vantagens… a gente aprende a saltar, tombar ou prestar atenção no caminho. E foi num desses tropeços que acabei inventando um jeito diferente de fazer o difamado ponto rococó. Se enrolar a linha na agulha apenas uma vez, como acontece no ponto francês, já é um tormento pra muitas, então enrolar muitas vezes a linha na agulha, é pesadelo na certa. Veja a seguir um rococó sem estresse…

I ended up doing bullion knots accidentally in a different way, which I believe now might help lots of girls who still struggle a bit with this stitch. Hope my tutorial helps!

Traga a linha pra frente do trabalho e dê o primeiro ponto.

Do your first stitch to start the bullion.

Enrole a linha na agulha. O sentido é importante… basta lembrar que os fios não devem se separar ao enrolar.

Wrap the thread around the needle like you would do for the bullion knot. Do not worry about tension or anything!

Junte as “voltas” do rococó pra checar a altura do ponto que deve ser um pouco maior que o ponto inicial.

I usually join the coils to check the size of the bullion – just a bit longer than the size of the stitch.

Puxe a linha, devagar e sem se preocupar em segurar as voltas do rococó, como normalmente é feito esse ponto.

Pull the thread, slowly. Don’t worry about holding the coil. Just let it go.

Continue puxando, calmamente, sem estresse mas com firmeza.

Keep pulling gently. No strong tug on the thread.

Nessa altura, você já pode parar… você reparou nessa alça que se formou?

Ok, you are almost there, stop now. See that inner loop?

Insira a agulha nessa alça e puxe na sua direção até endireitar as voltas. Mantenha o fio principal sob tensão. A agulha serve apenas como uma alavanca pra estender a alça.

Put your needle in the loop. Keep main thread stretched (left hand) and with the needle (right hand), pull loop up until coil is straingtened.

Agora começa a diversão… com ajuda da agulha, ainda dentro da alça, empurre a série de voltas pra frente ao mesmo tempo que continua puxando o fio principal. Não tem segredo aqui… enquanto a mão esquerda puxa o fio, a outra empurra a “mola” pra frente.

Use your needle as a lever to push the coil. Start pulling main thread slowly while pushing forward the coil.

Continue puxando, devagar, enquanto empurra o rococó que começa a se formar.

Keep pushing forward while pulling main thread. Remember to keep the loop always gently stretched while pushing.

O rococó está pronto! Pra finalizar, insira a agulha no final do ponto e leve a agulha para o verso do trabalho.

When almost done you can push the coil with the needle on top. Take the thread to the back and the bullion is done.

Aqui nessa série, eu usei 6 fios de linha mouliné, mas você também pode trabalhar com apenas dois fios. Lembre-se que o segredo é puxar o fio principal devagar à medida que empurra a série de voltas. Uma vez que você descobrir o movimento certo entre puxar e empurrar, tenho certeza que vai fazer rococó até enjoar!

I used 6 strands of cotton floss but you can use only 2 strands if you wish. Just remember to pull gently the main thread while pushing the coil. When you figure out the right moviment between pulling and pushing, I’m sure you will do bullion knots until you get bored!

“Eu adoro bordar!”

“Legal… você faz ponto-cruz?”

“Não…”

“Ah, não? Então, o que você faz?”

Acho que muitas de vocês já devem estar familiarizadas com essa resposta. Eu não entendo porque o ato de bordar virou sinônimo de quem faz ponto-cruz. Eu não tenho nada contra a técnica, pelo contrário, já fiz muita coisinha com esse ponto, mas existem muitos outros estilos. Na verdade, a variedade de estilos de bordados é tão grande que muito provavelmente vou precisar de muitas vidas pra satisfazer a curiosidade de conhecer todos os tipos.

Uma das técnicas que tem me encantado bastante, é o bordado com fita. Em inglês, esse tipo de bordado é conhecido como “Silk ribbon embroidery”, mas acho que, aqui no Brasil, deveríamos chamar o bordado simplesmente de bordado com fita, já que a seda (“silk”) está muito distante da nossa realidade. Além de não ser disponível aqui, é cara e muito cara. Então, só nos restam as famosas fitas de cetim. Nesse caso dê preferência por fitas de face simples, feitas de poliamida (fuja das fitas de poliéster!), pois são mais macias e facilitam o seu trabalho. Quem tiver sorte de encontrar as fitas de poliamida “Ponto e Fita” da Progresso, fique feliz, mas não muito, pois só existem na largura de 3 mm. A verdade é que, na falta de opções, a gente se vira como pode… e isso a gente já sabe fazer muito bem pra tudo!

Para o deleite das apaixonadas por bordado em fita, aqui vai o trabalho mostruário para uma aula oferecida no último evento de patchwork que aconteceu em São Paulo, a 5a. Semana Senac de Patchwork.

For those of you who love ribbon embroidery, this is a sampler I made for a class. The ribbons are single face satin ribbons.

… você é uma página em branco que dá medo!”

Eu confesso, resisti por muito tempo por puro pavor de enfrentar a famigerada tela em branco. Sofri da mesma angústia com o primeiro carro, zerinho e cheirando brinquedo novo. Só me senti livre quando bati o carro, na primeira chuva, na primeira derrapada! Que alívio! A primeira “pincelada” na tela branca!

… “então, querido diário, agora você não me assusta tanto assim, já pincelei sua primeira página, apaguei alguns disparates com branquinho, colei um monte de stickers gracinhas e manchei o cantinho com café”. Até!